Intercâmbio de cafés

04/08/2011 às 08:09 h       - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
MARÍLIA MIRAGAIA

Redescoberto acidentalmente na Fazenda Santa Margarida, no interior de São Paulo, o café Mundo Novo Amarelo provocou surpresa numa degustação recente, anterior ao lançamento de sua safra. Seus grãos dão forma a uma bebida sedosa, cítrica, floral e doce.

Depois de 35 anos estacionada, a produção desse café raro, quase inexistente no país, foi retomada na propriedade. Quase finalizada, a safra 2011 se resume a um microlote que não ultrapassa os 120 quilos.

"Espero dois torradores norte-americanos verem a lavoura para fecharmos negócio", diz o proprietário Mariano Martins. Cobiçada, a produção poderia ser destinada completamente ao mercado externo. Mas ao menos metade deve ficar.

Mariano participa de um projeto cuja intenção é reter a produção brasileira de qualidade, que com fre quência é escoada para o mercado externo.

Chamado Sharing Coffees, o projeto do "coffee hunter" Ensei Neto (que garimpa e classifica cafés), seleciona lotes e os divide entre duas cafeterias, uma dentro e outra fora do país.

Com isso, há um rico intercâmbio de informações -e o produto é valorizado. "Se vendo para um armazém grande, não sei o que é feito do café", diz Martins.

Para Rodrigo Ramos, da cafeteria high-tech Ateliê do Grão, em Goiânia (GO), a rede é uma forma de conhecer grãos notórios e difíceis de encontrar. "Meu cliente é curioso, quer experimentar. Se não fossem esses relacionamentos, eu não teria contato com alguns cafés."

Dentro do projeto, ele partilhou o lote 145 da fazenda Califórnia, variedade Obatã, com a Horiguchi Coffee, de Tóquio (Japão).

Ryota Ito, da marca, diz que o programa "pode melhorar a sua reputação de comprador de café brasileiro e aumentar suas chances de conhecer belos, mas desconhecidos, grãos do país".

Essa troca não se restringe ao Sharing Coffees. A barista Isabela Raposeiras, do Coffee Lab, é outro exemplo. Ela acaba de enviar amostras ao The Coffee Collective, na Dinamarca. "Eles querem expandir fornecedores de qualidade. E acharam nossa torra excelente."

Credits:

Fonte: Folha de São Paulo

Image Credits:
Sérgio Parreiras Pereira, Peabirus

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