Café especial: produção no Brasil deve ultrapassar Colômbia em menos de dois anos

17/01/2017 às 13:27 h       - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Notícias Agrícolas — O mercado de cafés especiais cresce cerca de 15% ao ano no Brasil, maior produtor e exportador do grão no mundo, ante 2% dos cafés tradicionais.

 

O mercado de cafés especiais cresce cerca de 15% ao ano no Brasil, maior produtor e exportador do grão no mundo, ante 2% dos cafés tradicionais. Diante dessa expansão, a BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais) acredita que em menos de dois anos a produção do país ultrapasse a Colômbia, nação que até o momento está no topo da produção de grãos gourmet. O cenário otimista no setor tem estimulado a migração de cafeicultores tradicionais para esse nicho promissor em que grãos chegam a ser vendidos a preço de ouro.

 

A produção e a demanda por cafés especiais começou a ganhar expressão nos últimos 15 anos. Desde então, há cada vez mais produtores que buscam produzir cafés especiais no Brasil. "Isso é muito bom. No entanto, temos que levar em conta que esse é um nicho de mercado, com pouca oferta de produto de qualidade. Com isso, já há movimentos que visam aumentar os pontos para a classificação de um café especial", explica a diretora executiva da BSCA, Vanusia Nogueira. Para ser considerado especial, um café precisa ter classificação mínima de 80 pontos de acordo com a metodologia SCAA.

 

Segundo a BSCA, foram colhidas  na safra 2016 no Brasil até 8 milhões de sacas de 60 kg de cafés especiais, volume que representa, caso confirmado, 35,5% da demanda mundial do nicho, projetada pela OIC (Organização Internacional do Café) em 22,5 milhões de sacas de cafés especiais. "O mercado do café, segundo a OIC, cresce cerca de 2% ao ano, já o setor de cafés especiais avança entre 10% e 15% anualmente. Mesmo com a crise no Brasil em 2016, continuamos nesse mesmo ritmo de crescimento. As certificações, por exemplo, aumentaram 25%", explica Vanusia.

 

Comparando com a produção brasileira de café em 2016, estimada pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) em 51,37 milhões de sacas, o volume de cafés especiais no país representa cerca de 8 milhões de sacas, ou 16%. Em 2015, o consumo interno de cafés gourmet no país foi de 1 milhão de sacas e foram exportadas 6,75 milhões. Os principais destinos foram os Estados Unidos, mas os maiores valores pagos pelo produto foram obtidos nas vendas para o Japão, Coreia do Sul, Austrália e Taiwan.

 

A Colômbia, que ainda detém o título de maior produtora de cafés especiais do mundo, teve produção total de 14,2 milhões de sacas no ano passado. "Estamos produzindo café no Brasil muito próximo do que fazem os colombianos hoje, e isso é muito por conta dos grãos naturais. Acredito que em um ou no máximo dois anos, dependendo das condições climáticas, o Brasil pode bater a Colômbia. Cerca 80% da produção de café no Brasil é feita de forma natural", pondera Vanusia.

 

As cooperativas brasileiras têm dado suporte aos produtores brasileiros que querem ingressar no setor de cafés especiais. "Ultimamente os produtores têm se preocupado mais com a qualidade dos seus cafés e as cooperativas têm fomentado isso também. Algumas até fazem triagem e chamam os produtores dos lotes mais finos para melhorarem ainda mais sua produção com assistência e também dando estímulos. Em muitos casos, o produtor se quer sabia que tinha um café especial em mãos", diz Vanusia.

 

Em leilões e prêmios pelo mundo os cafés brasileiros são extremamente valorizados. No último Cup of Excellence, concurso promovido pela BSCA, na categoria natural, a saca do cafeicultor por Homero Aguiar Paiva, de Santo Antônio do Amparo, no Sul de Minas Gerais, teve lance recorde de mais de R$ 18 mil pago pela empresa japonesa Maruyama Coffee. O valor é 36 vezes maior que uma saca de café commodity que está sendo negociada em cerca de R$ 500,00 no Brasil.

 

Na categoria Pulped Naturals, voltada aos cafés cerejas descascados e/ou despolpados, também houve recorde no último leilão. Os dois maiores lances foram dados ao lote do produtor José Joaquim Oliveira de Piatã (BA), na Chapada Diamantina, que foi adquirido em duas frações. A primeira ficou com as empresas japonesas Maruyama Coffee, Toa Coffee, Sarutahiko Coffee e Saza Coffee e a segunda com a companhia inglesa Difference Coffee, que pagaram R$ 18,92 mil por cada saca, gerando uma receita acumulada total de R$ 160,58 mil. Esse é o maior valor pago em concursos de qualidade na safra 2016 no país.

 

"O café especial, em muitos casos, é vendido a preço de ouro, mas o valor varia muito. Acredito que eles são um estímulo. Depois que você entre nesse nicho pode oferecer também outros cafés", afirma Vanusia, que também orienta os produtores que desejam entrar para o mercado. "O primeiro passo é procurar a sua cooperativa ou empresas de assistência técnica para ter orientações, depois fazer o plantio e manejo, procurar certificação e ter uma pós-colheita muito bem feita", explica.

 

Por: Jhonatas Simião

Fonte: Notícias Agrícolas


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