Valor
Econômico - por Rodrigo Uchoa -
No camarote da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e
Investimentos (Apex), as palavras de ordem eram negociação e aproximação. Uma
dessas "aproximações" era entre o Apla (Arranjo Produtivo Local do
Álcool) e uma empresa Argentina não revelada, dona de canaviais na Província de
Tucumán. A Apla e a companhia hermana negociam um acordo de US$ 500 milhões
para a instalação de uma usina de etanol, no país vizinho, com 100% de
tecnologia brasileira. Segundo o secretário-executivo do Apla, Flávio Castelar,
o BNDES foi procurado para financiar o projeto. As negociações devem ser
concretizadas até o segundo semestre.
Também no camarote da Apex, dirigentes da Associação Brasileira de
Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês) e da brasileira SMC celebravam a
venda de 600 sacas de café especial à japonesa Wataru, num acordo de US$ 500
mil, fechado durante o Carnaval. Empolgado com a beleza da festa mais popular
do Brasil, com os carros alegóricos e com "as muitas belas mulheres"
que circulavam pela Marquês de Sapucaí, o gerente da Wataru Eiji Inoue, que
tinha acabado de desfilar pela Mocidade Independente de Padre Miguel, disse que
a ideia de sua empresa é aumentar a importação de cafés especiais do Brasil,
país que oferece o melhor café do mundo, segundo ele. Inoue não tem certeza de
quanto será esse aumento. Sua única convicção, naquele momento, era de voltar
ao Brasil, trazendo mais japoneses.
Com um comportamento sereno em meio a tanta
algazarra, o presidente da GDF Suez no Brasil, Maurício Bähr, se orgulha em
dizer que a companhia energética é a "grande líder" no patrocínio do
camarote França-Brasil. O executivo, que participou pela quinta vez do Carnaval
Sapucaí, explica que a festa é também uma oportunidade para os negócios. Quanto
a Carnaval, Bähr diz que a Mangueira é a "a grande preferida do
camarote".