DIÁRIO DO COMÉRCIO, por Michelle Valverde – Os problemas enfrentados pela Colômbia e Indonésia
em relação à produção de cafés especiais têm contribuído para a expansão da
atuação brasileira no mercado internacional. Segundo dados da Associação
Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, sigla em inglês), a demanda pelos grãos
cresce em torno de 15% ao ano. A regularidade de oferta e a alta qualidade são
os principais fatores que estão contribuindo para a conquista dos compradores
externos.
Segundo o presidente da BSCA, Luiz Paulo Dias Pereira Filho, as expectativas
para este ano em relação ao mercado são positivas. Além da demanda crescente,
os preços pagos pelo grão especial são superiores e garantem a rentabilidade
para os produtores. O café brasileiro está conquistando, cada vez mais, espaço
no mercado mundial. A oportunidade veio com as repetidas reduções das safras de
cafés especiais da Colômbia e Indonésia, o que comprometeu a regularidade de
entrega. Diante da oportunidade, passamos a oferecer o café brasileiro e
conseguimos conquistar a confiança do mercado. Isso ocorreu por termos condições
de garantir o abastecimento regular e com garantia de alta qualidade, disse.
Outro fator que vem estimulando o aumento dos investimentos na produção de
grãos especiais é a demanda interna aquecida. Segundo Pereira, o consumidor
brasileiro está mais exigente em relação à qualidade do café, o que aumenta a
demanda pelos grãos especiais.
Diversificação – Além disso, a abertura de novas cafeterias no país e a
diversificação das maneiras de servir o grão especial tem contribuindo para
estimular o consumo e impulsionar o mercado do café. Com a demanda aquecida, e
a qualidade superior, os preços pagos pelo grão especial estão valorizados. A
saca de 60 quilos do produto está cotada em torno de R$ 500, enquanto os preços
pagos pela mesma quantidade de café comum gira em torno de R$ 380.
A crise financeira não interferiu significativamente na composição dos preços.
Assim como nos grãos comuns houve uma queda na cotação do café especial, porém
os valores praticados garantem rentabilidade aos produtores. Este ano
pretendemos expandir a atuação no mercado internacional, buscando exportar para
a Austrália e para o Oriente Médio, disse Pereira.
No país, a produção de cafés especiais da safra 2012/13 deverá ficar entre 2
milhões e 2,5 milhões de sacas de 60 quilos. Somente Minas Gerais, maior
produtor nacional do grão, deverá colher 1,5 milhão de sacas de cafés
especiais. O volume poderá sofrer alterações com o desenvolvimento da colheita,
processo que está em fase inicial.
Em algumas regiões o clima não foi favorável para o desenvolvimento da safra, o
que poderá interferir na maturação dos grãos. Este ano teremos uma produção
maior, porém não tão superior como à estimada inicialmente, avalia Pereira.
Concursos – Para agregar valor aos grãos produzidos em Minas e nas
demais regiões produtoras do país, a BSCA realiza anualmente concursos de
qualidade com o objetivo de avaliar e premiar os melhores grãos.
O 13º Cup of Excellence - Early Harvest - Brasil 2012, que integra o Projeto
Cafés Especiais Brasileiros, é voltado para os grãos produzidos por via úmida,
polpados ou cerejas descascados. As amostras dos produtores interessados em
participar do concurso deverão ser entregues até 1º de outubro de 2012.
De acordo com a associação, entre os dias 8 e 12 de outubro, será realizada a
pré-seleção dos lotes enviados, processo que definirá os classificados para a
fase nacional, prevista para ocorrer de 29 de outubro a 2 de novembro. A fase
internacional será realizada na semana seguinte, entre os dias 5 e 9 de
novembro, quando também será realizada a cerimônia de premiação.
Já o 2º Cup of Excellence - Natural Late Harvest - Brasil 2012 receberá as
amostras, apenas de cafés naturais (produzidos por via seca), até 4 de dezembro
deste ano. A pré-seleção ocorrerá entre os dias 10 e 14 do mesmo mês. As fases
nacional e internacional serão realizadas nas semanas de 14 a 18 de janeiro e
de 21 a 25 de janeiro de 2013, respectivamente.
Os concursos de qualidade para cafés especiais do Brasil são abertos a todos os
produtores da variedade arábica da safra atual e têm como objetivo premiar os
cafeicultores pela excelência de seus grãos, além de promover e divulgá-lo no
mercado internacional.